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Uma garotinha tocando chorinho e dançando
Tango...
A
influência artística decisiva veio de seu pai,
Pietro, um dançarino de Tango muito tradicional
de São Paulo. Ana Rita tinha apenas onze anos
quando ele lhe deu um violão, com a intenção de
colocá-la em contato com seus amigos, famosos
músicos tradicionais no Brasil. A casa de Pietro
costumava ser um lugar de encontro de artistas
consagrados, tais como Papete, Muri Costa, Trio
Mocotó, Jorge Costa, Maestro Benedito Costa,
Toninho Neto, e muitos outros. Os Saraus,
freqüentes, não tinham hora para acabar. Naquela
época, o Chorinho se tornou a grande inspiração
para a menina, que surpreendia a todos com seu
fantástico progresso, tocando lado a lado com
seus professores. Nessa atmosfera tão
espontânea, ela estudou também violão clássico,
jazz, bossa-nova, ritmos folclóricos e percussão
afro-brasileira. Pietro não perdeu a chance de
ensinar para sua filha danças latinas, e a
garota se tornou sua parceira, formando juntos
um brilhante casal de Tango. Estas experiências
tão ricas dão para Ana Rita base para explorar
uma grande diversidade de música e dança, mas
ela nunca abandonou suas raízes.
Profissionalmente, começou ainda jovem cantando
em barzinhos, casas noturnas, cafés e festivais
de música, além de dar aulas de música.
Espiritualidade no Brasil e tendências holísticas
A cultura brasileira tem um profundo senso de
espiritualidade, e muito cedo Ana Rita
demonstrou grande sensibilidade. Ela sempre
adorou ler, e quando tinha apenas oito anos,
tinha lido toda a biblioteca infantil da escola.
Não foi possível proibi-la de freqüentar a
biblioteca adulta, onde se deparou com uma rara
edição da Divina Comédia de Dante Alighieri,
livro que marcaria para sempre seu interesse em
literatura mística e filosofia. O próximo passo
foi um crescente interesse em Arte Oriental, que
foi se tornando cada vez maior. Suas concepções
holísticas foram testadas no curso de graduação,
onde ela decidiu cursar Biologia, tendo como
cadeiras preferidas História das Ciências e
Antropologia, mas se dedicava mesmo a se
aprofundar no novo paradigma holístico. Nessa
época de faculdade, entrou em contato com
diversos grupos de trabalho espiritual e
vivências do mundo alternativo, tais como Música
e Dança Orientais, Yoga e Sufismo.
Busca interior, Arte e Meditação
Ana Rita Simonka tem visitado com freqüência países orientais e institutos de estudo e pesquisa também na Europa. Ela acredita que o lugar que melhor reflete suas idéias sobre o que significa uma arte espiritual é a musica do Golden Temple, em Amritsar, Índia. Ali, há música ao vivo durante séculos, sem interrupções, na forma de um ritual de meditação. Ana Rita diz que é possível encontrar alguma coisa em comum entre a música espiritual indiana, e certas tradições brasileiras, e um dos exemplos mais interessantes pode ser visto nos hinários do Santo Daime, religião Amazônica. A espiritualidade e sabedoria de sua arte têm sido reconhecida por muitos grupos novos que atualmente despontam na World Music brasileira e que a consideram como principal influência.
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